Como Identificar uma Burla por SMS: Passos Simples para se proteger

Como Identificar uma Burla por SMS: Passos Simples para se proteger

Uma burla por SMS (ou smishing) é uma tentativa de fraude feita através de mensagens de texto que imitam entidades de confiança, bancos, serviços públicos, empresas de energia ou operadoras de encomendas,  para levar a vítima a clicar num link malicioso, partilhar dados pessoais ou fazer um pagamento. Os sinais mais reveladores são: remetente desconhecido, link estranho, urgência artificial, pedido de dados sensíveis, pedido de pagamento inesperado e erros de escrita.

As fraudes digitais continuam a crescer em Portugal. De acordo com o State of Scams Report 2025 da Global Anti-Scam Alliance (GASA), 77% dos portugueses inquiridos foram alvo de, pelo menos, uma tentativa de burla online no último ano, mais 10 pontos percentuais do que no estudo anterior. O mesmo relatório mostra que a maior parte dos contactos fraudulentos chega através de canais de mensagens diretas, e o SMS é, de longe, o mais utilizado: cerca de 61% das tentativas registadas nesse grupo passaram por mensagem de texto.

Neste artigo explicamos, de forma simples, o que é o smishing, como os burlões escolhem as suas “vítimas de confiança”, quais os sinais que devem acender um alerta imediato e o que fazer caso já tenha recebido, ou respondido a  uma mensagem suspeita.

 

O que é o smishing?

Smishing é a junção de “SMS” com “phishing”: um golpe em que o criminoso envia uma mensagem de texto a fingir ser uma entidade legítima, com o objetivo de obter dados pessoais, códigos de acesso, dados bancários ou dinheiro diretamente da vítima.

Ao contrário do phishing tradicional por email, o SMS tem uma vantagem para o burlão, é lido quase de imediato pela maioria das pessoas e transmite uma sensação de urgência e proximidade maior do que uma caixa de correio eletrónico. Isso torna-o um canal particularmente eficaz para golpes que dependem da reação impulsiva da vítima.

 

Como funciona um ataque de smishing

O esquema segue, quase sempre, o mesmo percurso:

  1. O burlão envia um SMS a fazer-se passar por uma entidade credível.
  2. A mensagem inclui um link ou pede uma ação imediata (pagamento, resposta, instalação de uma app).
  3. Ao clicar, a vítima é levada para uma página que copia o design de um site oficial, onde introduz dados sensíveis, ou, nalguns casos, o link instala diretamente software malicioso no telemóvel.
  4. Com esses dados (ou acesso ao dispositivo), o criminoso consegue roubar dinheiro, aceder a contas ou usar a identidade da vítima noutros golpes.

Há ainda uma variante que dispensa o link: o burlão pede diretamente, por mensagem, que a vítima faça uma transferência bancária ou pagamento por referência multibanco.

 

Que entidades os burlões costumam imitar?

Para ganhar credibilidade, os criminosos escolhem nomes que os portugueses reconhecem e em que confiam. Os mais comuns dividem-se em dois grupos:

 

Organismos públicos

  • Autoridade Tributária e Finanças
  • Segurança Social
  • Portal ePortugal / gov.pt
  • Chave Móvel Digital
  • Serviço Nacional de Saúde (SNS)

 

Empresas privadas

  • Bancos e instituições financeiras
  • Fornecedoras de eletricidade, gás e água
  • Empresas de correio e distribuição de encomendas

O objetivo é sempre o mesmo: associar a mensagem a algo que a vítima já espera receber (uma fatura, uma encomenda, um aviso oficial) para baixar a guarda.

 

Padrões típicos das mensagens fraudulentas

Sem reproduzir mensagens reais, é possível identificar um padrão comum nos SMS fraudulentos que circulam em Portugal:

  • “Aviso fiscal”: alegam uma dívida às Finanças ou à Segurança Social, com referência multibanco e prazo curtíssimo para pagamento.
  • “Confirmação de acesso”: informam que uma aplicação (como a Chave Móvel Digital) foi ativada num novo dispositivo e pedem para “cancelar” através de um link.
  • “Corte de serviço”: ameaçam suspender eletricidade, água ou internet ainda no próprio dia, salvo pagamento imediato.
  • “Encomenda pendente”: pedem uma pequena taxa para libertar uma encomenda que, na realidade, não existe.
  • “Novo contacto de um familiar”: o burlão finge ser um filho ou familiar com o telemóvel avariado, pede para gravar um “número novo” e, pouco depois, solicita uma transferência urgente.

Todos partilham os mesmos ingredientes: urgência, um valor ou referência de pagamento e um pretexto que soa plausível à primeira leitura.

 

Sinais de alerta de uma burla por SMS

Estes são os indícios que devem levantar suspeita sempre que recebe uma mensagem inesperada:

  1. Remetente desconhecido ou número estrangeiro. Números aleatórios, internacionais ou que nunca guardou nos contactos são um primeiro sinal de alarme.
  2. Links suspeitos ou encurtados. Domínios com pequenas alterações em relação ao site oficial (letras trocadas, extensões estranhas) ou URLs encurtados que escondem o destino real.
  3. Sensação de urgência forçada. Expressões como “hoje”, “último aviso” ou “vai ser suspenso” servem para impedir que a vítima pare para pensar.
  4. Pedido de dados pessoais ou bancários. Nenhuma entidade séria pede palavras-passe, códigos de autenticação ou dados de cartão por SMS.
  5. Pedido de pagamento fora do habitual. Referências multibanco ou transferências urgentes, sem contexto claro (fatura anterior, contrato, aviso por email), devem ser sempre confirmadas por outra via.
  6. Erros ortográficos e frases desajeitadas. Texto mal escrito, acentuação em falta ou frases que “soam mal” são comuns nestes golpes, mas atenção: uma mensagem bem escrita não é garantia de que seja verdadeira.

 

Como proteger-se de burlas por SMS

  • Desconfie sempre de mensagens que pedem uma ação imediata.
  • Não clique em links enviados por remetentes desconhecidos, pesquise o site oficial diretamente no browser.
  • Nunca partilhe palavras-passe, códigos de autenticação ou dados bancários por mensagem.
  • Confirme qualquer aviso através de um canal oficial (linha telefónica, email ou balcão presencial).
  • Apague a mensagem e bloqueie o número.
  • Instale aplicações apenas a partir das lojas oficiais (Google Play, App Store).
  • Ative a autenticação multifator nas contas mais sensíveis, sobretudo no homebanking.
  • Mantenha o sistema operativo do telemóvel atualizado e use uma solução de segurança/antivírus.
  • Verifique se o seu telemóvel tem filtros de mensagens de remetentes desconhecidos e ative-os.

 

Recebi uma mensagem suspeita: o que devo fazer?

Se identificar sinais de smishing, o mais seguro é não interagir de todo,  não responder, não clicar e não ligar para números indicados na mensagem.

Se já tiver clicado num link ou partilhado dados:

  1. Contacte imediatamente o seu banco para bloquear cartões ou acessos comprometidos.
  2. Altere as palavras-passe das contas que possam ter sido expostas.
  3. Reporte o caso à entidade que está a ser imitada (por exemplo, o seu banco ou a operadora).
  4. Guarde a mensagem como prova antes de a apagar, caso precise de a apresentar numa denúncia.

 

Como denunciar um SMS fraudulento em Portugal

Em Portugal, uma burla por SMS pode ser denunciada através de vários canais:

  • PSP, GNR ou Polícia Judiciária, apresentação de queixa presencial.
  • Ministério Público ou o portal de Queixa Eletrónica, para denúncia online.
  • Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), recolhe informação sobre incidentes de cibercrime, embora esta comunicação tenha caráter informativo e não substitua a queixa às autoridades.

 

Perguntas frequentes sobre burlas por SMS

O que é o smishing? É um tipo de burla feita por mensagem de texto (SMS), em que o criminoso se faz passar por uma entidade de confiança para roubar dados pessoais, bancários ou dinheiro.

Como sei se um SMS de um banco ou das Finanças é falso? Entidades oficiais não pedem palavras-passe, códigos de autenticação ou dados de cartão por SMS, nem costumam usar links encurtados. Em caso de dúvida, confirme diretamente no site oficial ou por telefone.

Cliquei num link suspeito, o que faço agora? Contacte o seu banco de imediato, altere as palavras-passe das contas relevantes e considere reiniciar o telemóvel em modo de segurança ou correr uma verificação antivírus.

Onde denuncio um SMS fraudulento em Portugal? Pode apresentar queixa na PSP, GNR ou Polícia Judiciária, através do portal de Queixa Eletrónica, ou comunicar o caso ao Centro Nacional de Cibersegurança.

As burlas por SMS estão a aumentar em Portugal? Sim. Segundo a Global Anti-Scam Alliance, em 2025 77% dos portugueses inquiridos foram alvo de pelo menos uma tentativa de burla online, e o SMS é o canal de mensagens diretas mais usado pelos burlões.

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