A freguesia de Ermida, atualmente integrada na União de Freguesias de Entre Ambos-os-Rios, Ermida e Germil, localiza-se no coração da Serra Amarela, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), a uma altitude média de cerca de 500 metros. Situada num território de grande beleza natural e riqueza paisagística, encontra-se a aproximadamente 16 quilómetros da vila de Ponte da Barca, sede do concelho.
Ermida é uma pequena aldeia de montanha que preserva de forma singular as tradições, os costumes e a identidade rural do Alto Minho. Segundo dados mais recentes, a localidade conta com cerca de 83 habitantes, mantendo uma forte ligação às atividades agrícolas e à pastorícia, que continuam a desempenhar um papel importante na economia e no quotidiano da população.
O topónimo “Ermida” terá origem numa antiga ermida com comunidade monástica pré-nacional dedicada a São Silvestre, mártir bracarense do século V. Historicamente, a antiga freguesia pertenceu ao concelho de Aboim da Nóbrega até à sua extinção administrativa, em 1853.
Do ponto de vista patrimonial e arqueológico, Ermida assume uma relevância muito significativa no concelho de Ponte da Barca, destacando-se pela presença da célebre Estátua-Menir da Ermida, um dos mais importantes exemplares da arte pré-histórica do Noroeste Peninsular. Esculpida em granito da região, esta estátua-menir feminina mede cerca de 1,50 metros de altura e 0,45 metros de largura máxima na zona peitoral, tendo sido concebida para ser colocada na vertical, parcialmente enterrada no solo.
Até à descoberta deste monumento, apenas eram conhecidas no Norte de Portugal outras três estátuas-menires, Boulhosa, Chaves e Faiões, o que torna o exemplar da Ermida particularmente relevante do ponto de vista arqueológico e histórico.
Pelas suas características formais e estilísticas, a Estátua-Menir poderá situar-se cronologicamente entre o final do III milénio a.C. e meados do II milénio a.C., correspondendo à transição entre o Calcolítico e a Idade do Bronze. Trata-se de um raro testemunho da arte pré-histórica ibérica, especialmente relevante pela representação feminina, numa época em que os motivos artísticos começavam a evoluir para outras formas simbólicas.
Outro importante elemento patrimonial da aldeia é a chamada Pedra dos Namorados, atualmente exposta no Núcleo Museológico da Ermida. Este monumento apresenta duas figuras de mãos dadas e é considerado uma peça de elevado interesse histórico e simbólico. Segundo a descrição existente no núcleo museológico, poderá tratar-se de uma peça funerária primitiva, eventualmente utilizada como tampa de sepultura ou estela tumular, embora não seja excluída a hipótese de possuir um caráter votivo. A ausência de inscrições impede uma datação rigorosa, mas as suas características apontam para uma possível origem anterior à ocupação romana ou para um período de plena romanização do Noroeste Peninsular.
Para além do seu património histórico e arqueológico, Ermida mantém vivas as suas tradições religiosas e culturais através das festividades locais, que continuam a reunir a comunidade e muitos visitantes. Entre as celebrações mais importantes destacam-se a festa de São Silvestre, realizada na última noite do ano, a Senhora do Rosário e Coração de Maria, celebrada no domingo seguinte à Páscoa, e as festividades em honra de São Sebastião e Santo António, na segunda-feira após a Páscoa.
Envolvida por montanhas, paisagens naturais de grande beleza e uma forte herança cultural, Ermida afirma-se como uma das aldeias mais genuínas e emblemáticas do concelho de Ponte da Barca e do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Referências Bibliográficas
- MINHATERRA. Dicionário Enciclopédico das Freguesias. Porto: Minha Terra Editora, 1997.
- O Arqueólogo Português, Série IV, vol. 3, Lisboa: Museu Nacional de Arqueologia, 1985.
- Instituto Nacional de Estatística – Censos