Lindoso é a maior freguesia do concelho de Ponte da Barca, do qual dista 25 km da sede, pertence ao distrito de Viana do Castelo, faz fronteira com Espanha e tem cerca de 1300 habitantes.
Inserida no PNPG – Parque Nacional Peneda Gerês, é uma região de clima rigoroso, frio no Inverno, temperatura amena ou quente no Verão, e chuvas abundantes que atingem uma precipitação média anual superior aos 2200 mm. Povoação típica composta por velhas casas de granito, bem inseridas na paisagem, subsistindo ainda em algumas instalações agrícolas a cobertura de colmo.
O topónimo Lindoso deriva de “Limitosum” e aparece pela primeira vez referido nas inquirições de 1258. O castelo, reconstruído em 1278, serviu para defender o Lindoso e Portugal, sendo um motivo de orgulho para os habitantes desta freguesia e muito apreciado por quem o visita. O concelho de Lindoso recebeu foral de D. Manuel em 5 de Outubro de 1514, contava no séc. XVIII 151 vizinhos (fogos) e a freguesia era, do ponto de vista eclesiástico, uma abadia do padroado real.
Lindoso é composto pelos lugares de Castelo, Cidadelhe e Parada. Existe uma eira composta por 50 espigueiros, de pedra, do séc. XVII e XVIII que se situa junto ao Castelo de Lindoso e apresenta um aglomerado de rara beleza.
A de 20 km a jusante da localidade, encontra-se a Barragem de Touvedo que, para além da produção de energia, complementa a Barragem do Alto Lindoso, modulando os elevados caudais que esta turbina debita.
Mas há mais para descobrir no Lindoso. Para além de uma paisagem de tirar o fôlego, existe a igreja matriz, uma construção simples de origem românica, muito alterada por recente remodelação, onde se pode observar um prato de cobre lavrado, renascentista.
Nas fraldas da Serra Amarela, sob o manto protetor do Castelo de Lindoso, uma tradição perdurou no fio dos tempos. Discreta até há poucos anos, a cerimónia ligada ao Pai Velho – uma espécie de ritual ligado ao solstício, mágico e rural, em que se celebra o findar da invernaria e o anúncio da fecunda Primavera – assume-se cada vez mais como um cartaz genuíno perante a proliferação generalizada de carnavais à moda tropical. A freguesia de Lindoso vive festivamente o período que precede a Quaresma. A queima do ícone – o busto do Pai Velho, em madeira, a encimar um corpo de palha – é o culminar da celebração, não sem que uma mão incógnita se aproprie da figura antes das chamas a consumirem. Para os visitantes, ficará a incógnita do seu paradeiro, um segredo reservado a alguns habitantes locais. Após o seu enterro, a leitura do testamento é uma das ocasiões aguardadas para o fim do dia da próxima terça-feira.
Fontes:
Aldeias de Portugal, 22 de Abril, www.aldeiasdeportugal.pt
Freguesias de Portugal, 21 de Abril, www.freguesiasdeportugal.com
Turismo
Versão para impressão Existe um turismo em Espaço Rural bastante acentuado que pode ser praticado ficando-se hospedado em diferentes tipos de alojamento:
Casas de Turismo de Aldeia
Vocacionadas para a rentabilização de pequenas construções de raiz popular, inseridas em aglomerados de marcada ruralidade. Na aldeia de Lindoso recuperou-se um conjunto de habitações que, ao manter a sua traça original, assumiram a designação de casas de aldeia. As casas estão dotadas de toda a comodidade, permitindo ao utilizador uma fusão com o dia-a-dia típico da aldeia.
Casas de Abrigo
Casas construidas durante as campanhas de florestação do Estado Novo. São construções simples feitas com materiais tradicionais, estrategicamente implantadas em locais de fácil vigilância e grandiosa paisagem. Adequadas, de raiz, à permanência no agreste espaço serrano, têm vindo a ser objeto de remodelações com vista a proporcionar um acréscimo de conforto ao turista e uma grande proximidade ao espaço natural e selvagem.
Casas Antigas e Rústicas
Antigas casas senhoriais, documentam os costumes e a evolução do gosto e da arquitetura ao longo dos tempos, bem como a própria vida social. Pioneiras no Turismo em Espaço Rural, caracterizam-se fundamentalmente pelo acolhimento familiar, permitindo a quem as procura um contacto direto com o mundo rural e a sua população.
Fontes: Miranda, Jorge. Soajo Lindoso – Cultura, Património e Natureza. I.F. – Comunicação & Imagem, 2001
Locais de Interesse Turístico
Cruzeiros de Lindoso cruzeiro
A sua origem está relacionada com a demarcação do território e a comunicação com o divino. Junto deles passavam as procissões, à sua volta cantava-se a encomendação das almas na quaresma. Nalguns casos foram colocados em cruzamento de caminhos, onde, segundo as narrativas populares, ocorriam fenómenos populares.
Largo dos Espigueiros espigueiros
Os espigueiros são instalações destinadas à armazenagem, secagem e conservação das espigas. Encontram-se reunidos num mesmo local, entre afloramentos de granito que lhes servem de alicerces. São construções em pedra e/ou madeira, corpo em forma de câmara estreita com fendas verticais para arejamento do espaço, telhado de duas águas e pés em pedra de formas muito simples.
Castelo do Lindoso
Fundado nos inícios do séc. XIII (já aparece referido nas Inquirições de 1258), este castelo foi, desde cedo, importante ponto de defesa da nossa fronteira nos desfiladeiros da Serra Amarela e Vale do Cabril. Na sequência das guerras da Restauração e pela sua posição geo-estratégica, transformou-se numa praça forte de grande importância, sendo então palco de inúmeros combates entre Portugal e Castela. Em 7 de março de 1932 foi classificado como Monumento Nacional. Na década de 40 foi objeto de obras de restauro e conservação por parte da Direcção- Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, passando, em 1976, para a administração do Parque Nacional Peneda Gerês.
Barragem do Alto Lindoso
O relevo, a elevada precipitação e a consequente abundância de recursos hídricos, originaram a instalação de unidades de produção de energia elétrica na região. Localizada no Rio Lima a poucos metros da fronteira com Espanha, é um dos maiores centros hidroelétricos da país mas também um fator fundamental para o desenvolvimento económico da comunidade local.
Fonte: Miranda, Jorge. Soajo Lindoso – Cultura, Património e Natureza. I.F. – Comunicação & Imagem, 2001
Gastronomia
A Gastronomia da região é rica e saborosa e pode ser degustada em vários restaurantes.
Broa
Pão de milho e de centeio e, por vezes, de trigo, preparado com fermento natural e cozido em forno de lenha. De forma redonda ou elíptica, côdea amarelo torrado e miolo de cor clara, pesando cerca de 1,5 kg.
A broa prepara-se durante todo o ano e graças ao seu teor de humidade conserva-se durante uma semana em local seco envolta num pano. Pode adquirir-se em diversas padarias do munícipio de Arcos de Valdevez ou junto de um produtor individual.
Caldo de Farinha
Sopa feita à base de feijão, couves, farinha de milho e, por vezes, batata temperada com um pouco de qualquer carne de salgadeira. É habitual confecionar o Caldo de Farinha, sobretudo no Inverno. É uma sopa nitritiva e muito saborosa que se pode degustar em vários restaurantes da zona no inverno, por encomenda ou no fim-de-semana gatronómico.
Cozido à Minhota
É um prato tradicional composto por carnes de vaca, de porco e de galinha, produtos do fumeiro, couves, batata e, eventualmente, outros legumes como o nabo e a cenoura. O Cozido à Soajeiro tem a particularidade de incluir feijão.
O Cozido constitui um dos pratos mais antigos confecionado pelos homens desde a domesticação do fogo. De facto, o modo de preparação e de confeção do cozido mantêm-se inalterados desde tempos imemoriais: uma panela com água sobre o lume onde cozem lentamente os diversos produtos de cada zona.
O Cozido combina em si próprio todos os elementos fundamentais da vida: o fogo, a água a terra (através dos ingredientes) e o tempo (lento da cozedura). Simboliza ainda a casa, pois representa a unidade em torno da qual tudo se organiza: o fogo ou lume, centro da casa, centro do mundo. A panela de ferro de três pés onde é tradicionalmente confecionado participa dessa representação da casa, pois é o utensílio fundamental de todos os lares, ricos ou pobres.
Prato completo e equilibrado, combinando carnes e legumes ao longo duma cozedura lenta que mantém todos os nutrientes, o Cozido simboliza o alimento único e total, constituindo-se quase com um mito. O Cozido simboliza ainda a economia doméstica, pois uma boa dona de casa é a que sabe gerir a despensa de modo a assegurar a alimentação da família ao longo de todo o ano. Cozendo quase sem vigilância, este prato, na sua versão mais pobre, tinha o seu lugar no quotidiano das populações camponesas.
A versão atual, mais rica em carnes, corresponde ao Cozido das festas, onde a carne marcava a abundância dos dias excecionais. Constituindo um prato único, pode, no entanto, repartir-se em três: sopa, os legumes e a carne de cozedura utilizado para outras preparações culinárias, como a Sopa Seca.
Rojoada
O termo rojoada refere-se, na realidade, à refeição que integra as tradições alimentares que têm lugar por ocasião da matança do porco. É uma refeição farta e composta por diversos pratos. Assim, temos os rejões propiamente ditos, constituidos por carne de porco frita, tripa enfarinhada, bicas ou belouras, batatinhas cozidas e rijadas no pingue, e o verde (sangue de porco cozido). São estes os elementos que integram o prato que é comum designar por rojoada.
É possivel degustar este prato típico da região, particularmente no Inverno, em diversos restaurantes do concelho. Alguns dos locais aceitam igualmente encomenda.
Lampreia
As lampreias que sobrem as águas frias dos rios Lima, Vez, Cávado e Minho são muito apreciadas em toda a região do Alto Minho e constituem uma especialidade gastronómica que merece deslocações específicas por parte dos verdadeiros gastrónomos.
A época da pesca da lampreia ocorre entre o meado do Inverno até ao início da Primavera.
Uso tradicional
Nesta zona, a lampreia é utilizada sobretudo para fazer a “Lampreia com Arroz” e a “Lampreia à Bordalesa”. Mas faz-se também sopa, escabeche, assada no espeto e em pataniscas.
Vinhos da Região
São néctares da região os vinhos verdes brancos e tintos. Na carta de vinhos de todos os restaurantes e casas de pasto do concelho, poderá encontrar os vinhos verdes produzidos na região e acompanhar os pratos regionas que mais apreciar. Poderá ainda adquirir o vinho do concelho em vários produtores individuais, para além de estabelecimentos de venda.
Fonte:
Barcelos Digital, 21 de Maio de 2010, www.barcelos-digital.com
Clube dos Vinhos Portugueses, 21 de Maio de 2010, clubevinhosportugueses.wordpress.com
Cozinha Minhota, 21 de Maio de 2010, cozinhaminhota.blogspot.com
PROENÇA, Maria; SARAIVA, Ana do Rosário; MARTINS, Susana. Os Lugares do Gosto Roteiro Gastronómico de Arcos de Valdevez. CMAV e ARDAL, ISBN: 972-99202-2-4, 2004
Artesanato
Tradicionalmente as atividades artesanais destinavam-se a garantir o autoabastecimento das comunidades rurais. As fibras vegetais e animais desde muito cedo foram usadas para a produção de artesanato. As chancas e os pipos de madeira, as croças de junco e as capas de burel, as camisas e toalhas de linho, os cobertores de lã e as mantas de retalho, constituíam produtos necessários à existência quotidiana. A lã e o linho eram as fibras mais usadas. As mulheres, nas horas vagas das tarefas agrícolas e domésticas, dedicavam-se à sua preparação enquanto os homens trabalhavam as fibras no engenho e nos pisões. Com o desenvolvimento industrial e das sociedades o artesanato entrou em profunda decadência: apareceram produtos mais baratos, mais funcionais e melhor acabados, muita mão-de-obra jovem emigrou retirando produtores e consumidores destes produtos, as preferências e hábitos de consumo alteraram-se. Nos últimos anos têm surgido iniciativas que procuram recuperar o prestígio perdido pela produção artesanal. Atualmente, existe uma loja de artesanato na vila do Soajo assim como pequenos produtores de mel, enchidos, presuntos, tecelagens, rendas e bordados, espalhados pela região.
Fonte: Miranda, Jorge. Soajo Lindoso – Cultura, Património e Natureza. I.F. – Comunicação & Imagem, 2001
Fauna
Cabra bravia
Tem coloração predominantemente preta e castanha, cabeça triangular, cornos finos e ligeiramente curvados pras trás. Machos e fêmeas possuem barba. A sua alimentação baseia-se na vegetação espontânea que cresce nos montes e planaltos.
Garrano
Raça de cavalos selvagens característica das serras minhotas. Têm pelagem castanha comum com tendência para o escuro, membros aprumados, curtos mas grossos e fortes, pescoço curto e grosso, crina farta, cabeça fina mas vigorosa, olhos redondos, narinas largas e orelhas médias. No Inverno abrigam-se nas áreas mais baixas da serra, ricas em pastos, subindo ao cimo dos montes no Verão.
Barrosã
Uma raça bovina típica do Minho e Trás-os-Montes muito apreciada pela qualidade da sua carne. De cor castanha clara, a tender para a cor de palha, o tom acerejado é, no entanto, o mais frequente. Tem pescoço curto, reforçado no bordo superior junto à cernelha. O peito é largo e descido, cabeça larga e curta exibindo os característicos cornos em forma de lira.
Ovelha Bordaleira
A ovelha bordaleira é resultado da herança genética de outras populações ovinas e da alimentação adotada. Tem cor branca, cabeça pequena e adelgaçada para o focinho, orelhas curtas e horizontais, o perfil fronto-nasal é reto, os cornos são curtos e de espiral incompleta.
Fonte: Miranda, Jorge. Soajo Lindoso – Cultura, Património e Natureza. I.F. – Comunicação & Imagem, 2001
Flora
O património botânico nesta área é variado e rico. Podemos observar belíssimas manchas de tojais, urzais, carvalhais, vidoeiros, amieiros, castanheiros, entre muitas outras espécies. Nas zonas mais elevadas podem ser encontrados locais permanentemente alagados, onde se encontram plantas carnívoras como a orvalhinha. Outras espécies: musgos, líquenes, cogumelos e azevinho.
Fonte: Miranda, Jorge. Soajo Lindoso – Cultura, Património e Natureza. I.F. – Comunicação & Imagem, 2001