Bitcoin, Ethereum, stablecoins ou NFT, saiba o que são os criptoativos, quais os principais riscos e como se proteger antes de investir.
Bitcoin, Ethereum ou Solana tornaram-se nomes familiares, mesmo para quem nunca investiu um euro em ativos digitais. Mas o que são, afinal, os criptoativos, e será que todos funcionam da mesma forma? Antes de decidir investir, vale a pena perceber as diferenças entre estes produtos e os riscos que lhes estão associados.
O que são criptoativos?
Os criptoativos são ativos digitais assentes em redes tecnológicas descentralizadas, geralmente conhecidas pelo termo inglês blockchain. Ao contrário do sistema financeiro tradicional, estas redes não dependem de uma entidade central (como um banco) para validar transações — a validação é feita de forma distribuída por milhares de participantes em todo o mundo.
É comum que estes ativos herdem o nome da rede onde circulam: a bitcoin corresponde à rede Bitcoin, o ether à rede Ethereum, e assim sucessivamente.
Nem todos os criptoativos são criptomoedas
Um erro comum é tratar “criptoativo” e “criptomoeda” como sinónimos. Na realidade, o universo cripto é bastante mais diversificado:
Criptomoedas “clássicas”, como a bitcoin ou o ether, cujo valor de mercado resulta essencialmente da oferta e da procura, bem como de fatores tecnológicos associados à rede que as suporta.
Stablecoins, um tipo de criptomoeda cujo valor está indexado a um ativo de referência, normalmente uma moeda como o dólar, ou uma matéria-prima como o ouro. O objetivo é oferecer maior estabilidade de preço face à volatilidade típica de outras criptomoedas.
Tokens não fungíveis (NFT), que não são propriamente moedas, mas sim certificados digitais únicos que representam a propriedade de um ativo específico, pode ser uma obra de arte digital, uma música ou outro bem colecionável.
Como está regulado o setor na União Europeia e em Portugal
Face ao crescimento deste mercado, a União Europeia aprovou um quadro legislativo dedicado aos criptoativos, com destaque para o Regulamento MiCA (Markets in Crypto-Assets), que atribui poderes de supervisão reforçados às autoridades reguladoras dos Estados-membros.
Em Portugal, a transposição deste enquadramento atribuiu à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e ao Banco de Portugal (BdP) a responsabilidade pela regulação e supervisão das entidades que operam neste mercado.
Investimento, não meio de pagamento
Apesar de existir quem defenda o uso de criptoativos como forma de pagamento do dia a dia, a verdade é que estes não têm curso legal, ou seja, não são reconhecidos como moeda oficial por nenhum país da União Europeia. Na prática, o uso mais comum continua a ser o investimento e a valorização de capital, e não as transações correntes.
Principais riscos a considerar
Como qualquer produto financeiro, os criptoativos apresentam riscos que devem ser bem ponderados antes de qualquer decisão de investimento:
Volatilidade elevada
Os preços dos criptoativos podem oscilar de forma acentuada em curtos períodos de tempo. Como regra geral em qualquer mercado financeiro, potencial de retorno mais elevado costuma andar associado a maior volatilidade e maior risco de perda. Antes de investir, é importante avaliar se este tipo de produto é compatível com o seu perfil de risco e com os seus objetivos financeiros.
Escolher uma plataforma registada
O crescimento do mercado cripto trouxe também um aumento de esquemas fraudulentos, nem sempre diretamente relacionados com a tecnologia em si, mas que se aproveitam da falta de familiaridade dos investidores. Antes de utilizar qualquer plataforma para comprar, vender ou guardar criptoativos, confirme que a entidade está devidamente registada junto das autoridades competentes. O Banco de Portugal disponibiliza uma lista pública das entidades registadas para o exercício de atividades com ativos virtuais, que pode ser consultada neste link.
Informar-se bem antes de investir
Tal como aconteceria com qualquer outro instrumento financeiro, é essencial procurar informação completa antes de investir, perceber como funciona cada produto, que garantias (ou ausência delas) oferece, e que riscos específicos comporta. No caso das criptomoedas, é também importante compreender, ainda que de forma básica, a tecnologia subjacente, uma vez que fatores técnicos da própria rede podem influenciar diretamente o valor do ativo.
Os criptoativos representam uma classe de investimento relativamente recente e em rápida evolução, com características muito distintas dos produtos financeiros tradicionais. Perceber as diferenças entre os vários tipos de criptoativos, confirmar que se está a operar através de plataformas registadas e avaliar com realismo a própria tolerância ao risco são passos essenciais antes de qualquer decisão de investimento.
Este artigo tem caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento de investimento.



