Saber utilizar a tecnologia é importante, mas saber aplicá-la com inteligência, responsabilidade e criatividade pode fazer toda a diferença na entrada no mercado de trabalho.
Vivemos numa era em que a transformação digital está a mudar profundamente a forma como as empresas trabalham, comunicam, produzem e se relacionam com os seus clientes. A utilização de ferramentas digitais, a automatização de tarefas e a crescente presença da inteligência artificial estão a criar novas oportunidades, mas também novos desafios para quem procura iniciar uma carreira profissional.
Neste contexto, os jovens que entram no mercado de trabalho são confrontados com uma realidade cada vez mais exigente: já não basta ter conhecimentos teóricos ou dominar algumas ferramentas tecnológicas. As empresas procuram profissionais capazes de utilizar a tecnologia para resolver problemas, melhorar processos, comunicar eficazmente e acrescentar valor às organizações.
Mas, afinal, que competências digitais procuram as empresas nos jovens?
Mais do que utilizar computadores: saber trabalhar no digital
Embora muitos jovens tenham crescido num ambiente marcado pela tecnologia, ser utilizador frequente de redes sociais, aplicações ou plataformas digitais não significa, necessariamente, possuir as competências necessárias para o contexto profissional.
No mercado de trabalho, a literacia digital assume uma dimensão mais abrangente. Implica saber utilizar ferramentas informáticas, organizar informação, comunicar através de plataformas digitais, trabalhar em ambientes colaborativos e compreender os riscos associados à utilização da tecnologia.
Entre as competências mais valorizadas pelas empresas destacam-se:
- Domínio das ferramentas digitais: utilização de programas de produtividade, como processadores de texto, folhas de cálculo, apresentações e plataformas de comunicação.
- Pesquisa e análise de informação: capacidade para encontrar informação relevante, avaliar a sua credibilidade, interpretar dados e retirar conclusões.
- Comunicação digital: utilização adequada do correio eletrónico, plataformas colaborativas e outros meios digitais, respeitando as regras de comunicação profissional.
- Segurança digital: conhecimento de boas práticas relacionadas com palavras-passe, proteção de dados, privacidade e prevenção de ameaças informáticas.
- Resolução de problemas: capacidade para identificar dificuldades, encontrar soluções e utilizar a tecnologia para melhorar a execução das tarefas.
- Adaptação a novas ferramentas: facilidade em aprender a utilizar novos programas, sistemas e aplicações, acompanhando a evolução tecnológica.
Estas competências são relevantes não apenas para profissões ligadas à informática, mas também para áreas como a administração, o comércio, o marketing, a contabilidade, a indústria, a logística e os serviços.
A inteligência artificial está a transformar as competências exigidas
A inteligência artificial (IA) está a assumir um papel cada vez mais relevante nas organizações, permitindo automatizar tarefas, analisar informação, apoiar decisões e desenvolver novas soluções.
Para os jovens, compreender o funcionamento destas ferramentas e saber utilizá-las de forma adequada pode representar uma vantagem competitiva.
As empresas valorizam profissionais que consigam utilizar a IA para apoiar tarefas como a elaboração de documentos, a organização de informação, a análise de dados ou a criação de conteúdos, sem perder a capacidade de avaliar criticamente os resultados.
A utilização destas tecnologias exige, contudo, responsabilidade. É fundamental saber verificar a informação produzida, identificar possíveis erros, proteger dados confidenciais e compreender os limites das ferramentas utilizadas.
O verdadeiro valor não está apenas em saber utilizar a inteligência artificial, mas em conseguir aplicá-la de forma consciente, ética e produtiva.
As competências digitais devem ser acompanhadas pelas competências humanas
Apesar da crescente importância da tecnologia, as competências digitais não substituem as capacidades humanas. Pelo contrário, complementam-nas.
Os dados relativos às ofertas de emprego em Portugal, analisados pela plataforma Brighter Future com base no projeto Skills-OVATE, do Cedefop e do Eurostat, mostram que, em 2025, a capacidade de adaptação à mudança, o trabalho em equipa e a utilização de computadores estiveram entre as competências mais procuradas pelos empregadores.
Esta realidade demonstra que as empresas procuram profissionais que conciliem conhecimentos técnicos com competências comportamentais.
Entre as características mais valorizadas encontram-se:
- Capacidade de comunicação;
- Trabalho em equipa;
- Pensamento crítico e criatividade;
- Responsabilidade e autonomia;
- Capacidade de adaptação;
- Gestão do tempo e organização;
- Disponibilidade para aprender continuamente.
Um jovem pode dominar diversas ferramentas digitais, mas será a capacidade de trabalhar com os outros, compreender as necessidades da empresa e encontrar soluções que permitirá transformar esse conhecimento em valor profissional.
Como podem os jovens desenvolver estas competências?
A preparação para o mercado de trabalho começa muito antes do primeiro emprego. A escola, a formação profissional, o ensino superior e as experiências práticas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento das competências digitais.
No entanto, a aprendizagem não deve limitar-se aos conteúdos curriculares. Os jovens podem reforçar as suas capacidades através de diferentes iniciativas:
Investir na formação digital: frequentar cursos, workshops e ações de formação que permitam adquirir conhecimentos em ferramentas digitais, análise de dados, programação, cibersegurança ou inteligência artificial.
Desenvolver projetos práticos: criar um portefólio digital, desenvolver pequenos projetos, participar em iniciativas escolares ou colaborar em atividades que permitam aplicar os conhecimentos adquiridos.
Acompanhar a evolução tecnológica: procurar conhecer novas ferramentas e compreender de que forma podem ser utilizadas em diferentes contextos profissionais.
Valorizar experiências de trabalho: estágios, experiências de voluntariado e projetos de colaboração permitem desenvolver competências técnicas e comportamentais, aproximando os jovens da realidade empresarial.
Aprender de forma contínua: a transformação digital exige uma atitude de aprendizagem permanente. A capacidade de adquirir novos conhecimentos e adaptar-se às mudanças será cada vez mais importante ao longo da vida profissional.
O papel das empresas na preparação dos jovens
A responsabilidade pela qualificação digital não pertence apenas aos jovens ou às instituições de ensino. As empresas também desempenham um papel essencial na criação de oportunidades de aprendizagem e na integração de novos talentos.
A promoção de estágios, a participação em iniciativas de formação, a colaboração com escolas e entidades formadoras e o acompanhamento dos jovens no início da sua carreira são medidas que podem contribuir para uma melhor preparação dos futuros profissionais.
Para as empresas, investir no desenvolvimento das competências digitais dos trabalhadores representa também uma oportunidade para melhorar a produtividade, estimular a inovação e reforçar a competitividade.
Num contexto em que a tecnologia evolui rapidamente, as organizações que valorizam a aprendizagem e a partilha de conhecimento estarão mais bem preparadas para enfrentar os desafios futuros.
O futuro pertence a quem sabe aprender
As competências digitais são hoje uma condição cada vez mais importante para a empregabilidade dos jovens. Contudo, o seu verdadeiro valor resulta da combinação entre conhecimentos tecnológicos, capacidade de adaptação, pensamento crítico e competências humanas.
O mercado de trabalho não procura apenas jovens que saibam utilizar ferramentas digitais. Procura profissionais capazes de compreender os desafios das empresas, aprender continuamente, trabalhar em equipa e transformar a tecnologia em soluções concretas.
Preparar os jovens para este novo contexto significa, por isso, apostar numa formação abrangente, que promova não só o domínio das ferramentas digitais, mas também a autonomia, a criatividade e a responsabilidade.
Num mundo em constante transformação, a competência mais importante poderá ser, afinal, a capacidade de continuar a aprender.
Fontes de referência:
- ANACOM — Relatório «Competências digitais da população e das empresas 2025».
- Brighter Future — Análise das competências mais procuradas pelos empregadores em Portugal, com base nos dados Skills-OVATE (Cedefop/Eurostat).
- World Economic Forum — The Future of Jobs Report 2025.



