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As 25 maiores potências mundiais da atualidade

in Notícias Gerais
Criado em 28 março 2022

As maiores potências mundiais destacam-se pela sua força económica, política e pela força militar.

Há vários rankings, que consideram diferentes variáveis, como a riqueza (PIB), o desenvolvimento humano, tecnológico, a demografia, o poder militar e tantas outras. Os países alinham-se de forma diferente, conforme o indicador escolhido.

 

PIB e gastos militares das 25 maiores economias do mundo

A tabela seguinte apresenta os dados do FMI para o PIB de 2021 e de 2020. Aos 25 países, juntamos a área, a população, a despesa militar, e a data de entrada na NATO, quando aplicável. 

 

O mundo tem dois líderes, os Estados Unidos e a China. Depois, vêm os outros:

#

Ranking de países (PIB 2021)

PIB 2021E (Biliões USD)

PIB 2020 (Biliões USD)

Área (km2)

População (M)

Despesa militar (2020; M USD

NATO

1

Estados Unidos da América

22,9 

20,9

9,8 milhões 

330

778.232

1949

2

República Popular da China

16,9 

14,9

9,6 milhões 

1.439

252.304

-

3

Japão 

5,1 

5,0

378 mil 

126

49.149

-

4

Alemanha

4,2 

3,8

357 mil 

84

52.765

1955

5

Reino Unido

3,1

2,70

243 mil

68,5

59.238

1949

6

Índia 

2,95

2,67

3,3 milhões

1.380

72.887

-

7

França 

2,94

2,6

552 mil

65,3

52.747

1949

8

Itália

2,1

1,9

301 mil

60,5

28.921

1949

9

Canadá

2,0

1,6

10,0 milhões

37,7

22.755

1949

10

República da Coreia

1,8

1,6

100 mil

51,3

45.735

-

11

Federação Russa

1,65

1,5

17,1 milhões

146 

61.713

-

12

Brasil

1,65

1,4

8,5 milhões

213 

19.736

-

13

Austrália

1,61

1,36

7,7 milhões

25,5

27.536

-

14

Espanha

1,4

1,3

506 mil

46,8

17.432

1982

15

México

1,3

1,07

2,0 milhões

129 

6.116

-

16

Indonésia

1,2

1,06

1,9 milhões

274 

9.396

-

17

Irão

1,1

0,8

1,6 milhões

84

15.825

-

18

Países Baixos

1,0

0,9

42 mil

17 

12.578

1949

19

Arábia Saudita

0,84

0,7

2,1 milhões

35 

57.519

-

20

Suíça

0,81

0,75

41 mil

8,7 

5.702

-

21

Turquia

0,80

0,72

784 mil

84,4 

17.725

1952

22

Taiwan

0,79

0,69

36 mil

23,8 

n.d.

-

23

Polónia

0,66

0,6

313 mil

37,8 

13.027

1999

24

Suécia

0,62

0,54

450 mil

10,1 

6.454

-

25

Bélgica

0,58

0,51

31 mil

11,6 

5.461

1949

Fontes: FMI, Worldometers, World Bank. PIB 2021: estimativa/preliminar; Orçamento militar: 2020. Valores do PIB expressos na escala longa: 1 bilião = 1 milhão de milhões (1.000.000.000.000). 

Dos 25 países apresentados, fazemos agora uma pequena descrição de cada um dos primeiros 11Descemos ao 11.º para englobar a Rússia.

 

  1. Estados Unidos da América

A maior economia do mundo concentra 1/4 da riqueza mundial, com um PIB de 22,9 biliões de dólares. 

Líderes económicos e políticos, os EUA continuam a ser um dos maiores fabricantes mundiais, com uma economia assente na abundância de recursos naturais e uma forte aposta na iniciativa privada. Exportam petróleo refinado, gás natural, crude, automóveis e componentes e circuitos integrados, entre outros. Os principais destinos são o Canadá, o México, a China, o Japão e a Alemanha.

Os Estados Unidos são uma República Federal Presidencialista. A sua política tem sido baseada, na maior parte da sua história, num sistema de 2 partidos políticos: o Democrata e o Republicano. Os Estados Unidos integram 50 estados, ocupando uma grande parte da América do Norte.

Os seus gastos militares, de mais de 778 mil milhões em 2020, representam mais de 12 vezes a despesa militar da Rússia. São os líderes da NATO e possuem armamento nuclear.

 

  1. República Popular da China

A China é o maior país da Ásia Oriental, com quase um quinto da população mundial. Sobretudo desde a década de 80 do século XX, a China tornou-se numa das economias de mais rápido crescimento no mundo. Nas décadas de 1990 e 2000 a economia chinesa registou crescimentos médios do produto da ordem dos 10% ao ano. 

A China é o exemplo da globalização sendo, desde 2009, o maior exportador do mundo. Evoluiu para a área da eletrónica, tecnologia de processamento de dados, vestuário e outros têxteis, e equipamento médico. Os principais destinos das exportações chinesas são os EUA, Hong Kong, Japão, Vietname, Coreia do Sul, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Índia e Singapura. 

O PIB estimado da China é de 16,9 biliões de dólares, cerca de 74% do PIB dos Estados Unidos. E deverá continuar a crescer, mas a ritmos menores. Aponta-se, para 2022, uma taxa de crescimento da ordem dos 4%. O crescimento da China tem vindo a desacelerar nos últimos anos e não só devido à pandemia.  

A política de controlo "Covid-zero", com rigorosos e amplos lockdown, impedem uma maior recuperação da economia. 

Mas outros problemas residem na própria economia chinesa. O boom de construção dos últimos 25 anos, deixou grandes empreendimentos abandonados ou inacabados, por falta de procura, num modelo de crescimento baseado no financiamento excessivo. Espera-se que muitas destas empresas tenham dificuldades de liquidez num futuro muito próximo (veja-se o exemplo da Evergrande). 

Depois de uma aposta no desenvolvimento tecnológico, há agora um quadro regulatório que cerca os grandes monopólios. Isto pode visar a correção de desigualdades e a reforma da economia, mas há teorias que apontam para o combate às grandes fortunas, vistas como ameaça ao sistema e ao monopólio do partido comunista. 

É o segundo país que, oficialmente, possui mais armamento nuclear. Tem ainda o maior exército do mundo, em número de soldados, e o segundo maior orçamento de defesa, depois dos EUA.

A China tem um regime unipartidário, totalmente dominado pelo Partido Comunista Chinês.

 

  1. Japão

Com um PIB da ordem dos 5,1 biliões de dólares, o Japão constitui a terceira maior economia do mundo, embora muito distante dos valores apresentados pelos Estados Unidos e República Popular da China.

Este arquipélago, com quase 7 mil ilhas, é conhecido por uma população extremamente rigorosa e educada, um elevado padrão de vida e forte desenvolvimento industrial e tecnológico.

Pobre em recursos, o Japão tipicamente importa matérias-primas e exporta produtos de elevado valor acrescentado. Destaca-se na robótica, nanotecnologia, metalúrgica, mecânica, entre outros. O país é responsável pela maior dívida pública do mundo em percentagem do PIB (cerca de 256%).

O Japão é também o país mais envelhecido do mundo, com uma taxa de natalidade em permanente declínio. O Japão tem uma idade mediana de 48 anos, sendo que cerca de 28% da população japonesa tem, pelo menos, 65 anos de idade (em Portugal, o 5.º país mais envelhecido do mundo, esses indicadores são de 46 anos e 23%, respetivamente).

O Japão, uma monarquia com um imperador constitucional e um parlamento eleito, é o único país asiático membro do G-7, fazendo igualmente parte do G-20. 

 

  1. Alemanha

Quarto a nível mundial, a Alemanha é o país mais rico da Europa. Em conjunto com a França, a Alemanha assume um papel de liderança na União Europeia e mantém uma série de parcerias a nível global. O país também é líder científico e tecnológico em vários domínios. O PIB alemão, em 2021, deve ser da ordem dos 4,2 biliões de dólares.

A economia alemã assenta num modelo de crescimento pelas exportações (contrariamente a Portugal, por exemplo, que baseou o seu quase nulo crescimento dos últimos anos num modelo assente no consumo).

Os setores mais exportadores são o automóvel, componentes elétricos e eletrónicos, reatores nucleares, farmacêutica, ótica, plásticos, aço, metal e produtos químicos. Estados Unidos, França, China, Polónia e Itália eram os principais destinos das exportações, em janeiro de 2022.

A Alemanha apresenta uma das maiores despesas militares na Europa, 52,8 mil milhões de dólares.

 

  1. Reino Unido

A segunda maior economia europeia é o Reino Unido, com um PIB e 3,1 biliões de dólares. Com os seus quatro países (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales), o Reino Unido continua a ser uma potência mundial importante ao nível económico, cultural, militar e político. Londres possui uma das mais importantes praças financeiras do mundo.

No top das suas exportações encontramos maquinaria (incluindo computadores), metais preciosos, automóveis, combustíveis minerais (incluindo crude), produtos farmacêuticos e aeronaves. Nos principais destinos das exportações estão os EUA, a Suíça, a Alemanha, a Holanda, a França, a Irlanda e a China.  

O Reino Unido abandonou formalmente a UE a 31 de dezembro de 2020. No entanto, mantém-se noutras organizações, como a Commonwealth.

Esta organização tem 54 países independentes, africanos, asiáticos, americanos, europeus e do Pacífico. No seu conjunto, representa um mercado de 2,4 biliões de pessoas e um PIB de 13 biliões de dólares. Em 2021, o governo britânico iniciou o reforço nas negociações com os seus pares para o reforço das trocas comerciais, como parte da sua política de independência comercial da UE.

O Reino Unido é o segundo país mais armado com ogivas nucleares na Europa. A despesa militar, em 2020, ascendeu a 59, 2 mil milhões de dólares, a segunda maior a seguir à da Rússia.

 

  1. Índia

A Índia é o segundo país mais populoso do mundo (atrás da China) e o 7.º em área ocupada. Desde a década de 90 do século XX, a Índia tornou-se uma economia de rápido crescimento. No entanto, ao nível do desenvolvimento humano, está longe dos melhores patamares mundiais, debatendo-se com elevados níveis de pobreza, analfabetismo, doenças e desnutrição.  

O PIB da Índia é de 2,95 biliões de dólares. O PIB per capita da Índia é cerca de 20% do da China, 5% do do Japão ou do Reino Unido. E corresponde a cerca de 1,5% do PIB per capita do Luxemburgo. O Luxemburgo tem 637 mil pessoas e a Índia tem perto de 1,4 biliões de pessoas. A Índia ocupa, sensivelmente, o lugar 140, na lista dos PIB per capita mundiais. 

Ainda assim, o rendimento da população tem vindo a subir de forma significativa, com milhões de famílias a sair do estado de pobreza. Por outro lado, a Índia tem-se vindo a afirmar como um player chave na economia global e as recentes reformas têm ajudado ao desenvolvimento económico, com o controlo da inflação e dos déficits sucessivos.

A Índia exporta petróleo refinado, diamantes, medicamentos embalados, jóias e automóveis, sobretudo para os Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, China, Hong Kong e Singapura.

A Índia precisará ainda de vencer grandes desafios como a economia informal, onde a maior parte da população indiana trabalha. E a pandemia veio demonstrar a necessidade de reforço do emprego no setor formal, de uma reforma profunda no setor da saúde e no setor social, para proteção dos mais vulneráveis. Mas é uma peça geo-estratégica no contexto mundial. 

A Índia possui armas nucleares e a sua despesa militar, em 2020, foi de perto de 73 mil milhões de dólares. 

 

  1. França

A nível europeu, atrás da Alemanha e do Reino Unido, segue-se a França, com um PIB de 2,94 biliões de dólares. Com a saída do Reino Unido da UE, este país é o segundo da UE. 

A França é o maior país da UE, cobrindo cerca de 552 mil km2, mas apenas o 3.º maior da Europa, atrás da Ucrânia e do território europeu da Rússia. Cerca de 1/3 da França é floresta, sendo o 4.º país da UE com maior área florestal, atrás da Suécia, Finlândia e Espanha.

O país tem uma forte influência política e económica no continente europeu, apresentado um número significativo de grandes multinacionais a operar no país. E ocupa um lugar destacado no mercado mundial.

É o 5.º maior exportador do mundo e o 3.º maior exportador europeu, depois da Alemanha e dos Países Baixos. É um dos maiores produtores de cereais e o maior exportador de vinho. 

O top de exportações francesas integra aviões, aeronaves, naves espaciais, helicópteros, medicamentos embalados, componentes automóvel e vinho. Perto de 70% das exportações francesas têm como destino a Europa, seguido da Ásia, com 17%, e a América do Norte, com 10%.

A França possui 290 ogivas nucleares, sendo um dos 3 países da Europa (incluindo a Rússia) com armamento nuclear.

 

  1. Itália

A Itália já não apresenta uma economia tão forte como no passado, mas ainda consegue ser a quarta melhor da Europa e a oitava do mundo. Com um PIB de 2,1 biliões de dólares em 2021o país é a 3.ª economia mais forte da UE.

Itália tem uma população de cerca de 60 milhões de pessoas. Depois do Japão, é o país mais envelhecido do mundo, seguido da Grécia, Finlândia e Portugal. 

Como 8.º maior exportador mundial, a Itália tem como principais clientes os Estados Unidos, a Alemanha, a França, o Reino Unido e Espanha. De entre as suas exportações destacam-se os medicamentos embalados, automóveis e componentes e o petróleo refinado.

O turismo é o principal setor da economia italiana, pesando cerca de 13% no PIB do país (em 2019; em Portugal pesava 17%). Todos os anos, mais de 58 milhões de pessoas visitam o país, fazendo dele o 5.º destino mais atrativo do mundo. O setor industrial é forte na maquinaria, aço, ferro, químicos, veículos, cerâmicas, vestuário e calçado. Na agricultura, a Itália assume-se como um dos maiores produtores agrícolas e de comida processada da Europa. Cerca de 2% do PIB italiano vem da agricultura.

 

  1. Canadá

O Canadá é a nona maior economia mundial. É considerado um dos países mais desenvolvidos, com as melhores condições de trabalho e de vida. Em 2021, o PIB canadiano deverá ser da ordem dos 1,6 biliões de dólares

O Canadá rivaliza com os Estados Unidos em termos de área ocupada (9.985 milhares de km2, considerando superfícies de água como lagos ou rios, contra 9.834 mil km2 dos EUA). Em termos de superfície terrestre, os Estados Unidos são considerados maiores que o Canadá.

O comércio internacional sempre foi a base do desenvolvimento económico deste país, historicamente dependente da exportação de matéria-primas. A partir de meados dos anos 70 do séc. XX, as exportações passaram a ter origem em setores de elevado valor acrescentado, como o automóvel e componentes, seguido da maquinaria e equipamentos e sistemas computorizados de comunicações.

Assumem também importância as exportações de metal, produtos florestais (pasta de papel), produtos químicos, têxteis, petróleo (crude e refinado) e gás de petróleo liquefeito. Quase 3/4 das exportações do país se destinam aos EUA (de onde importa mais de 60% de todas as importações), seguido da China com pouco mais de 10%. A China é também o segundo país com maior peso nas importações canadianas.

O país é membro da NATO e apresentou, em 2020, despesas militares de 22,7 mil milhões de dólares, bastante menos que o Reino Unido, a Alemanha, a Itália, ou a França.

 

  1. República da Coreia

Fechando o top 10, temos a República da Coreia, mais conhecida por Coreia do Sul (ou simplesmente Coreia), com uma riqueza estimada em 2021 de 1,8 biliões de dólares. O país tem como sistema político, uma democracia presidencial. 

A Coreia do Sul tem uma economia de mercado bem alicerçada e é conhecida por ter recursos humanos altamente qualificados. É um país de base industrial orientado para as exportações, política considerada uma das razões para o seu sucesso. Em 2021, o país foi o 7.º maior exportador mundial e o nono maior importador.

Os setores mais exportadores são o de equipamento elétrico e eletrónico, reatores nucleares, caldeiras, veículos, plásticos, petróleo, aço, equipamentos de ótica, fotografia e material médico. O principal destino das exportações coreanas são a China (27% em 2021), seguida dos Estados Unidos (15%), Vietname (10%), Hong Kong (6%) e Japão (5%).

Desde 2012, que a Coreia regista uma balança comercial superavitária (valor das exportações superior ao das importações). 

 

  1. Rússia

A Rússia é o maior país do mundo, em área ocupada, com parte do território no continente asiático e parte no leste europeu (a "fronteira" Europa / Ásia é feita nos Montes Urais).

É um gigante territorial, com mais do dobro do tamanho dos EUA, fazendo fronteira com 14 países, por terra, e tendo fronteiras marítimas com o Japão, os Estados Unidos e, de certa forma, também com a Suécia. No entanto, grande parte do território russo é inóspito, inabitado ou inabitável. O país é o 9.º mais populoso do mundo.

O atual Presidente esteve no cargo entre 2000 e 2008 e, quatro anos depois, retomou-o, após 4 anos como primeiro-ministro. Esta foi a forma de contornar a Constituição russa, que permite apenas 2 mandatos consecutivos. A Rússia é um estado centralizado, governado por um ditador.

O declínio económico da Rússia e o seu crescente isolamento do Ocidente colocam-na na 11.ª posição do ranking de riqueza mundial com um PIB de 1,65 biliões de dólares. Um país que tem 146 milhões de habitantes, mais do dobro da população de França (#7) ou Itália (#8) e cerca do dobro da população do Reino Unido (#5). A Rússia deverá, no atual contexto de guerra e de sanções económicas, acentuar o seu declínio nos próximos tempos.

O lugar que ocupa, ainda assim, deve-se ao facto de ter uma economia baseada no petróleo, gás e carvão, recursos naturais em setores estratégicos, controlados pelo estado russo. A energia é responsável por 65% das exportações russas e 25% da receita total. Para além destes, a economia russa assenta noutros setores primários como os metais preciosos e a agricultura. A única exceção à prevalência do setor primário é o armamento.

No campo da energia, a Rússia depende das vendas à Europa. No petróleo e, sobretudo, no gás natural, o principal cliente é a Europa, com destaque para os Países Baixos, a Alemanha, a Polónia, a Itália, a França e a Turquia. Em segundo lugar vem a Ásia e Oceânia, com a China como maior comprador (sobretudo crude).

Em 2021, a Europa adquiriu 75% das exportações russas de gás natural. A China e o Japão ficaram-se pelos 10%. No mesmo ano, a Rússia exportou mais de metade do carvão produzido. Deste, cerca de 25% foi para a China, 22% para o Japão, Coreia do Sul e Taiwan e, mais de 30%, para países europeus.

 

Quais as maiores potências mundiais presentes na NATO? E quais os outros membros?

No top 25 encontramos os seguintes membros da NATO: Estados Unidos (#1), Alemanha (#2), Reino Unido (#5), França (#7), Itália (#8), Canadá (#9), Espanha (#14), Países Baixos (#18), Turquia (#21), Polónia (#23) e Bélgica (#25).

O Tratado do Atlântico Norte nasceu com a Guerra Fria, em 1949, no rescaldo da 2.ª Guerra Mundial. Visava a defesa coletiva dos países membros, perante a ameaça de expansão da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, sobre outros países europeus do Ocidente. O Tratado exigia, ainda, o compromisso com os princípios da Carta das Nações Unidas, da liberdade individual, da democracia, dos direitos humanos e do Estado de Direito. Não é de estranhar, por isso, que a NATO seja, sobretudo, composta por países europeus.   

A 4 de abril, em Washington, assinou-se então o Tratado de Washington, como também ficou conhecido. Mais tarde, ele deu origem à organização com o mesmo nome, The North Atlantic Treaty Organization (NATO, ou OTAN, em português).

Hoje, fazem parte da NATO 30 países. Para além dos EUA e Canadá, são 28 os países europeus. Destes, 14 são do leste europeu, com adesão à NATO após a reunificação da Alemanha em 1990:

  • da Europa "ocidental" (14):
    • Portugal (1949), França (1949), Itália (1949), Bélgica (1949), Países Baixos (1949), Luxemburgo (1949), Dinamarca (1949), Noruega (1949), Islândia (1949), Reino Unido (1949), Grécia (1952), Turquia (1952), Alemanha (1955) e Espanha (1982).
  • da Europa "de leste" (14):
    • Hungria (1999), República Checa (1999), Polónia (1999), Lituânia (2004), Letónia (2004), Estónia (2004), Bulgária (2004), Eslovénia (2004), Roménia (2004), Eslováquia (2004), Albânia (2009), Croácia (2009), Montenegro (2017) e Macedónia do Norte (2020).

 

 

v Três países expressaram oficialmente a sua vontade de aderir à NATO, nos últimos tempos. São eles a Bósnia-Herzegovina (ex-Jugoslávia), a Georgia (ex-URSS) e a Ucrânia (ex-URSS). A Ucrânia, ainda que não formalmente, terá voltado atrás nesta vontade, no contexto da invasão pela Rússia, já que este objetivo constituía o primeiro entrave a qualquer alegada negociação de paz entre a Ucrânia e a Rússia. 

 

Quanto gastam em defesa, os países da NATO?

Os Estados Unidos, como vimos no quadro anterior, gastaram, em 2020, cerca de 778 mil milhões de dólares em defesa militar.

No "campeonato" europeu, o Reino Unido surge com 59 mil milhões, a França, com 52,7, a Itália, com 28,9, a Turquia, com 17,7, a Espanha, com 17,4 e, a Polónia, com 13 mil milhões de dólares.

A tabela seguinte apresenta o ranking de países europeus da NATO, pelo PIB, e a despesa militar de cada um dos 28 países:

Ranking de países

(PIB 2021)

PIB 2021E

(M USD)

Despesa

militar (M USD)

#

Ranking de países

(PIB 2021)

PIB 2021E

(M USD)

Despesa

militar (M USD)

1

Alemanha

4.230.172

52.765

15

Grécia

211.645

5.301

2

Reino Unido

3.108.416

59.238

16

Hungria

180.959

2.410

3

França

2.940.428

52.747

17

Eslováquia

116.748

1.837

4

Itália 

2.120.232

28.921

18

Luxemburgo

83.771

490

5

Espanha

1.439.958

17.432

19

Bulgária

77.907

1.247

6

Países Baixos

1.007.562

12.578

20

Croácia

63.399

1.035

7

Turquia

795.952

17.725

21

Lituânia

62.635

1.171

8

Polónia

655.332

13.027

22

Eslovénia

60.890

575

9

Bélgica

581.848

5.461

23

Letónia

37.199

757

10

Noruega

445.507

7.113

24

Estónia

36.039

701

11

Dinamarca

396.666

4.953

25

Islândia

25.476

0

12

Roménia

287.279

5.727

26

Albânia

16.770

222

13

República Checa

276.914

3.252

27

Macedónia do Norte

13.885

158

14

Portugal

251.709

4.639

28

Montenegro

5.494

102

Fontes: FMI, Worldometers, World Bank. PIB: estimativas/números preliminares 2021; Orçamento militar: dados 2020. 

A título de curiosidade, e num contexto global, de acordo com o SPRI (Stockholm Peace Research Institute), os Estados Unidos, a China, a Índia, a Rússia e Reino Unido são responsáveis por 62% dos gastos militares mundiais. Por outro lado, os países da UE gastam, no seu conjunto, 4 vezes mais que a Rússia. 

O Tratado da NATO estabelece uma percentagem de 2% do PIB em defesa. Esta percentagem, em tempos de paz, não foi respeitada pela generalidade dos países. Agora, em tempo de guerra na Europa, os membros da UE acordaram, a 21 de março de 2022, a designada "bússola estratégica". É um tema que vem sendo discutido há cerca de 2 anos, mas a invasão russa à Ucrânia apressou o acordo, que deverá ser formalizado em breve.

A "bússola estratégica" visa o reforço da política de segurança e defesa da UE, de forma a tornar-se um "aliado complementar efetivo" da NATO, que continuará a ser a base de defesa coletiva dos membros da UE. Se "sair do papel", este será um marco histórico na UE.

O poder da NATO tem como objetivo a gestão de crises, sempre que os esforços diplomáticos falhem. Estas são realizadas ao abrigo do agora mais conhecido, artigo 5.º do Tratado de Washington, ou no âmbito do mandato das Nações Unidas, individualmente ou em cooperação com outros países e organizações.

Na sua essência, o artigo 5.º estabelece que, um ataque a um aliado é um ataque a todos os aliados, sendo todos solidários na defesa do membro ou membros atacados, com os recursos necessários, incluindo a força armada. É uma aliança defensiva.  A única vez que este artigo foi invocado para a defesa de um membro, foi na sequência dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Com a assinatura do Tratado do Atlântico Norte, os países do leste europeu responderam, em 1955, com o Pacto de Varsóvia, assinado na Polónia. O mundo ficou dividido pela chamada "cortina de ferro".

No meio das decisões estratégicas do pós-guerra, alguns países europeus optaram pela "neutralidade", não fazendo parte de nenhum daqueles "blocos". A Áustria, o Liechtenstein, a Finlândia, a Suécia ou a Suíça não fazem parte da NATO.

A Islândia, por seu lado, ainda que pertencente à NATO, não possui forças armadas e a sua despesa militar é marginal ou nula. Ainda assim, beneficia de um acordo de defesa com os Estados Unidos (desde 1951) e, desde 2008, do policiamento aéreo do país pela NATO, de forma periódica. 

 

Onde está o armamento nuclear?

Estima-se que existam, atualmente, 9 países com ogivas nucleares, liderados pela Rússia com 6.255 ogivas. Cinco destes países acordaram, em 1968, que "uma guerra nuclear não tem vencedores e que nunca deve ser combatida". O tratado, conhecido por "NPT" (Nuclear Non-Proliferation Treaty), ou Tratado de Não Proliferação Nuclear, é um compromisso dos países para a não expansão das armas nucleares e para o gradual desarmamento. O acordo foi assinado por 191 países.

Os 5 países que possuíam armas nucleares em 1968 (China, Rússia, Reino Unido, França e Estados Unidos), são também os 5 membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, conhecidos pelos "P5" ou "N5". 

A Índia, Israel, o Paquistão e o Sudão do Sul não assinaram este acordo e, a Coreia do Norte, retirou-se.

Apesar de não possuírem armamento, a Alemanha, a Bélgica, a Itália, os Países Baixos e a Turquia têm acordos de armazenagem de armamento nuclear dos Estados Unidos.

Em janeiro de 2021 entrou em vigor um novo acordo, assinado em 2017, o Tratado de Proibição de Armas Nucleares (Treaty on the Prohibition of Nuclear Weapons, ou "TPNW"). Este novo acordo veio sobretudo reforçar o compromisso de desarmamento nuclear, já presente no NPT.

Fontes de informação usadas neste artigo: imf.org; data.worldbank.org; worldometers.info; tradingeconomics.com, world-nuclear.org; nato-int; Stockholm International Peace Research Institute (sipri.org); ordslibrary.parliament.uk; thecommowealth.org; eia.gov-Energy Information Administration; theguardian.com.

Fonte: economias.pt, 24/3/2022