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Menos de um quinto das empresas portuguesas paga dentro do prazo

in Notícias Gerais
Criado em 22 novembro 2017

A maioria das empresas portuguesas não cumpre os prazos de pagamento, revela estudo da Informa D&B. Apenas 16,3% paga dentro do prazo e são as de menor dimensão as mais cumpridoras.

Em setembro de 2017 apenas 16,3% das empresas portuguesas cumprem os prazos de pagamento acordados, o valor mais baixo nos últimos dois anos. A quantidade de empresas que cumprem os prazos de pagamento degradou-se em Portugal na última década e neste momento são menos de metade da média europeia (39,1%).

As conclusões são da edição de 2017 da análise da Informa D&B ‘Como pagam as empresas – Estudo de comportamentos de pagamento’. Este estudo integra também dados internacionais da Dun & Bradstreet Worldwide que comparam o comportamento de pagamentos em 32 países, 20 da Europa e 12 do resto do mundo.

A análise tem como ponto de partida o Paydex, um indicador estatístico desenvolvido pela Dun & Bradstreet, que apresenta dados sobre a performance histórica de cumprimentos de pagamento a fornecedores face aos prazos acordados.

Quer a nível europeu, quer em todo o mundo, os melhores pagadores estão na Dinamarca, onde 86,5% das empresas pagam dentro dos prazos acordados, seguida da Alemanha, com 81,7%.

No extremo oposto, o país com menos empresas a pagar dentro dos prazos são as Filipinas, onde apenas 12% das empresas pagam nos prazos, a Roménia (17,6%), Israel (18,2%) e Portugal com 19,5%.

De acordo com Teresa Cardoso de Menezes, diretora-geral da Informa D&B, “o cumprimento dos prazos de pagamento é uma fonte de crescimento, ao contribuir para melhorar a liquidez das empresas, criando confiança entre os agentes económicos”.

Pelo contrário, conclui, o seu incumprimento “provoca entropia nas relações comerciais, pondo em causa a rentabilidade e sobrevivência de algumas empresas.’

A análise da Informa D&B  dá conta que fatores estruturais e culturais das empresas, como a sua dimensão e localização geográfica, influenciam os comportamentos de pagamento. O incumprimento tem também consequências negativas na vida empresarial, ao nível de liquidez, litigância e risco de failure (indicador da Informa D&B, que mede a probabilidade de uma entidade cessar atividade nos próximos 12 meses com dívidas por liquidar; não corresponde necessariamente a um processo de insolvência).

Estes números ocorrem apesar da diretiva europeia transposta para a legislação nacional em 2013 e que foi criada para proteger as empresas, em especial as PME, contra os atrasos sistemáticos nos pagamentos nas transações comerciais.

Empresas de menor dimensão são as mais cumpridoras

Segundo o estudo da Informa D&B, entre os fatores de ordem cultural a que as empresas estão sujeitas, a sua dimensão é um dos que influenciam claramente os seus comportamentos de pagamento. “Apesar das baixas percentagens de cumprimento de prazos serem transversais às empresas de todas as dimensões, são as micro e as pequenas empresas que se revelam mais cumpridoras”, conclui, salientando que, pelo contrário, entre as grandes empresas, apenas 4% pagam dentro dos prazos. O incumprimento superior nas grandes empresas é um facto que se regista também noutros países.

Cumprimento do pagamento aumenta ligeiramente de Sul para Norte

Relativamente à localização geográfica, o cumprimento dos prazos de pagamento aumenta ligeiramente de Sul para Norte, com as regiões Norte (19,5%) e Centro (18,1%) a apresentarem uma maior pontualidade de pagamentos. O Alentejo regista 14,7% e o Algarve 16,1%.

Já em todas as dimensões de empresas, as que têm controlo de capital estrangeiro são ligeiramente mais cumpridoras dos prazos do que as que têm controlo nacional.

O atraso nos pagamentos acordados é transversal a todos os setores de atividade.

O estudo da Informa D&B conclui aqui que os setores mais cumpridores são as telecomunicações e o setor grossista. No extremo oposto, transportes e alojamento e restauração registam as percentagens mais baixas de pagamentos dentro dos prazos estipulados.

Incumprimento nos prazos e falta de liquidez, litigância e risco

Os atrasos nos prazos de pagamento comportam consequências negativas para a vida das empresas. As empresas com menor liquidez são menos cumpridoras das condições de pagamento acordadas (foram definidas como empresas com menor liquidez aquelas cujo rácio de liquidez reduzida é inferior a 1).

A Informa D&B alerta que as empresas com menor liquidez, apenas 13,7% paga dentro dos prazos, contrastando com os 21,2% das empresas com maior liquidez. “Além disso, o atraso nos pagamentos pode induzir problemas de liquidez nas empresas credoras, sobretudo nas de menor dimensão. O conhecimento dos comportamentos de pagamento das empresas, hoje disponível, reveste-se de extrema importância nas decisões dos gestores e empresários”, frisa o estudo.

Há também  mais litigância associada ao incumprimento: quanto maior o atraso de pagamento face aos prazos acordados, maior a litigância. Quase dois terços das empresas (62%) que pagam com atrasos superiores a 90 dias registam casos de litigância. Pelo contrário, 85% das empresas que cumprem os prazos acordados não têm ações judiciais. As empresas com litigância e com atrasos superiores a 90 dias têm em média 6,8 ações judiciais, mais do triplo das empresas que pagam dentro dos prazos (2,2 casos).

Verifica-se ainda uma relação direta entre empresas que apresentam maior risco de failure e o incumprimento de prazos. Em junho de 2017, entre as empresas a pagarem com mais de 90 dias de atraso, 46% apresentam risco elevado. Em contrapartida, 72% das empresas cumpridoras dos prazos de pagamento apresentam risco mínimo.

Fonte: jornaleconomico.sapo.pt, 22/11/2017